Olá Modesto! Tudo bem com você?

Ano passado (2016) fiz um declutter digital intenso e no meio desta faxina o WhatsApp foi junto para a lixeira, estava super orgulhosa da minha posição e nada me motivava a voltar, me sentia muito mais livre!! Percebi que conseguia viver sem o tal do Facebook e agora sem WhatsApp.

Vou contar essa breve experiência.

O que aconteceu foi o seguinte: o meu antigo celular parou de funcionar e acabei comprando outro e com isso tive que trocar o chip e acabei perdendo todos os meus contatos. Resumindo mesmo, basicamente foi isso.

Ah, mas você poderia sincronizar seus contatos ai não perderia absolutamente nada! Eu faço e é super prático!! Nunca perco nada!!!” — Aposto que você pensou nisso não é mesmo? Pois então, eu não tenho o costume de acumular absolutamente nada (nem fisicamente e nem virtualmente) e também não acho de tão ruim o fato de recomeçar do zero.

Fiquei praticamente um mês sem celular e daquela lista enorme de contatos, para minha surpresa, somente duas pessoas me procuraram. Quando a encomenda chegou, fui logo reinstalando os aplicativos que realmente me fizeram falta e naquela minha falsa esperança de ter várias mensagens reclamando meu sumiço, qual foi meu espanto? As mesmas pessoas que souberam me procurar fora do aplicativo também me procuraram ali e ninguém mais.

Depois de alguns dias passei a me sentir inquieta, pegava o aparelho a cada dois minutos, esperando algo acontecer e foi ai que percebi que aquilo não estava me fazendo bem, então decidi que já era hora de seguir em frente e sem arrependimento algum cancelei o WhatsApp e deletei o aplicativo.

Vou contar um episódio que seria cômico se eu não considerasse trágico: um belo dia minha mãe me chamou um tanto desesperada e eu parei tudo o que estava fazendo para atendê-la (sei lá, vai que era algo realmente importante) e agoniada me disse “filha você sumiu do meu zap!” e eu respondi bem aliviada ao ver que não era nada demais “ah então é isso, mãe eu não tenho mais o WhatsApp.” e qual foi meu espanto? Ela me pergunto mais desesperada ainda “mas e quando eu quiser conversar com você?! faço como???” e eu incrédula respondi “mãe moramos na mesma casa, me chama que irei até você uae!” — Sinceramente, foi lamentável perceber que um simples aplicativo tornou-se importante demais.

Sabe o que mais percebi?
Que as pessoas realmente não se comunicam mais, simplesmente mandam “um zap” e está tudo resolvido.
Quando vou ao shopping, vejo vários casais ou grupos de amigos, sentados e teclando no “whats“! E acredite, às vezes estão conversando entre si.
Percebi também, como as pessoas ficam visivelmente incomodadas pelo fato de eu não utilizar e não fazer questão de voltar a ter. Já tiveram a cara de pau de me chamar de desconectada do mundo por não ter o WhatsApp!! Como se um aplicativo me definisse! Oras! Faça-me o favor…

Sendo bem sincera, não sinto falta deste, não me vejo mais aflita e quem realmente quiser conversar comigo sabe muito bem onde me procurar (e vice versa) e você tem WhatsApp?

Mas como toda experiência tem seu fim, algo mudou e acabei voltando com o aplicativo…

(CC BY-NC-ND 4.0)

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