“Um pequeno desespero.” (Parte II)

Originalmente escrito em Dezembro 12, 2004.

Diversas estações passaram, e por fim, o verão chegou. Belo sol, praias lotadas, diversas pessoas sorrindo, outras cantando e até dormindo. Mas para ela nada disso importava, pois continuava ali sozinha sentindo o vento gelado com seu coração machucado. E por mais que se esforçasse a observar tudo ao seu redor nada conseguia ver pois estava escuro e nada tomava forma apenas diversas vozes sussurrando em seu ouvido. Em vários momentos pegava-se pensando “será que realmente são e estão felizes ou estão apenas querendo passar uma impressão errada?”, e para ela esta era uma pergunta sem resposta.

Até que um dia resolveu dar uma caminhada, para ver se existia mudanças em sua ausência. As ruas continuavam intransitáveis, já as pessoas não estavam mais a sorrir, estavam sérias com seus olhos cansados e andavam com uma rapidez sem tamanho, já não havia mais sol, o céu estava nublado, os pássaros que antes cantavam estavam recolhidos em seus ninhos. E assim passou horas e horas caminhando, sua feição estranhamente mudou pois não tinha visto aquela imagem com perfeição e por curiosidade resolveu voltar alguns passos para definir o que imaginou ter visto. Se deparou de frente a um espelho e a cada parte que seus olhos percorriam observava minuciosamente, assustou-se com a imagem refletida pois nunca havia se encontrado daquela maneira. Não sabia o que fazer e resolveu pedir ajuda, mas para quem!? Aquela que dizia ser sua amiga incondicional viva não estava mais, a outra que também se qualificava assim estava completamente feliz e não queria ficar tê-la por perto então o que restava fazer era se cuidar.

Resolveu voltar para casa, quando entrou todos estavam lá, esperando-a, seus pais chorando, seus irmãos a abraçando, foi uma felicidade imensa de todos ao reve-la e para ela? não conseguia sentir nada no momento pois o que mais precisava era de um bom banho quente e pensar. E assim foi, tomou um belo banho para lavar e retirar os meses de sofrimentos pelos quais veio passando.

Dia após dia ela conseguiu se levantar, se erguer, foi cada dia ficando uma pessoa mais forte, mais determinada, mais decidida, até que um dia ela resolveu procurar esse grande amor, ele a atendeu com muito carinho, a abraçou e não queria mais solta-la, dizia aos prantos como estava sofrendo por estar longe dela e ela ali, seca, fria, dura, imperdoável e ele observou que suas expressões nada havia mudado. Sentaram e conversaram durante dias e dias até que descobriram o quanto são importantes.
Ambos se completam.
Ambos se desejam.
Ambos se amam.

Hoje são grandes amigos, mas ninguém os entende, acham que um está com o outro por puro interesse. Qual o interesse que poderia existir entre duas pessoas que se conhecem tão bem? Se conhecem tanto que nem seus pais os conhecem tanto assim. Sonham o mesmo, sorriem juntos, desejam exatamente as mesmas coisas. Um dia perguntaram para ela – Por que vocês não estão juntos? Sabiam que são perfeitos um para o outro!? – ela sorriu e respondeu emanando esperança – Quem sabe um dia meu anjo. Quem sabe. – E saiu feliz, continuou caminhando. Continua caminhando, e cada vez estão mais unidos, são mais confidentes, são mais confiantes. Um dia ela disse – Se eu ficar cega apenas confiarei apenas em você. – ele a abraçou e chorou. E de tudo aquilo que sentia, todo aquele desespero hoje não passa de grandes ensinamentos que a vida lhe ensinou.

Hoje, ela é feliz.

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2 Comments

  1. Avatar

    Lívia

    setembro, 2018 at 6:39 pm

    Lindinha, manda seu contato telefônico pra gente. Estamos reunindo aqiela galera de infância na rede. Estou no Face, Insta como Lívia Gaertner. Me manda um oi tb por email

    1. Avatar

      Viectoria

      setembro, 2018 at 7:27 pm

      Oie Lee!! Que delicia de reencontro!! Vou te procurar no Instagram, pois não tenho Facebook!!
      Beijos!!

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